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sexta-feira, março 26, 2010

Intensidade

Ao som de memórias recentes, eu não pude deixar de sentir o sol que ardia lá fora. Meus cabelos quentes e minha pele em ardorosa harmonia fazem coro às flautas e pratos tão ao fundo de bonita - e melodiosa - voz. Minhas lembranças, agora mais distantes, só me trazem você e seus traços marcantes, como grafite marcado em parede de sentimentos, como poesias recitadas em tardes inesperadas. Como uma declaração-não-declarada. Buscar resultados em linhas de números indecifráveis, tirar melodia de notas distorcidas e tentar resgatar amor de um coração que sangra. Passos não calculados, momentos equivocados... Intensamente esperados.

segunda-feira, março 08, 2010

Gangorra

E a vida estava sendo feito gangorra, os altos e baixos que acometiam e tomavam conta do seu dia-a-dia não eram humanos, tampouco surreais. Fechava os olhos em busca de algum chão, algum ar... Mas tudo em seu redor havia se rarefeito. Resolveu então seguir a dança que a pista lhe insinuava e entre os passos não ensaiados encontrou um olhar. Sorridente e inocente, mas que escondia toda uma insinuação. Refez a música de sua história, cantarolou aquela sublime emoção. E enquanto elevava sua dor, descobriu um novo sabor de beijo, intrigantemente viciante e tentador. E agora seu caminho é incerto, mas de fato é saciador.

sexta-feira, março 05, 2010

Urgência letal

E sua mão percorria meu corpo numa urgência quase letal.
Tentei mostrar-lhe que não achava aquilo apropriado ao momento.
Em vão.

Seus lábios corriam nos meus como água corre em dia de tempestade.
Desenhei minha boca em seu corpo, deixei as marcas de minhas mãos
Senti seu sussurro em meu ouvido, como uma nota desafinada

Senti meu corpo ser arremessado e senti meu cabelo ser tirado dos olhos
Encontrei seu rosto, a me fitar, a me devorar...
Mostrei-lhe então o que era de fato ser dominado... Silêncio.

Respiração lenta e pesada.

Um abraço.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Refrão de ciclo

E quando um novo ciclo se inicia, não necessariamente nos faz abandonar detalhes do anterior.
Um novo ciclo aqui se inicia, mas a poesia e os sentimentos eu resolvi deixar, renovar, reviver.
Relembrando os momentos de amor, ardor e de fato, clamor...
Clamando sempre o sentimento, a saudade e a vaidade... Deixando o que era um tornar-se eterno.

E o que de simplesmente eterno tinha, arrancar a beleza e desenvoltura.
Trazer palavras benquistas de lugares desconhecidos, produtos de uma mente apaixonada.
Talvez um tanto acirrada, porém sempre encantada, fazendo a rima virar refrão...
E o som fazer parte do coração.

E assim se inicia um novo ciclo, os mesmos amores, os mesmos ardores, mas sempre novos clamores.
Refazendo os versos e cantando as tão sonoras melodias... Fazendo da poesia o palco da vida.