De repente da poesia fez-se refrão. Suas rimas contagiantes e versos instigantes a envolver, derreter os ouvidos do cidadão apaixonado. Enquanto ligava seu rádio à pilhas em qualquer estação descobriu o verão e delirou de A a Z as palavras de bem-querer. Fez com que o distante estivesse diante, e o doloroso, caloroso. Transformou águas em aquarelas, brisas em sua tela e pintou seu viver, pintou o autor daquela música, aquela outrora poesia, nuvem. Dedilhou sensações, descobriu percepções, de cores e sabores. Olhou através de uma janela e viu o arco-íris de atos e fatos, quis ser ontem para eternizar cada memória, fez do pranto nota melodiosa, transformando em mar todo chão que pisara, banhou-se dos perfumes e cores de cada jardim que encontrara; fazendo o amanhã ser daqui a pouco.
Enquanto a música lhe fazia homem, sua bela moça avistou, correndo ao seu encontro com caracóis e girassóis, num sobressalto ela lhe encarou, buscando entender motivos daqueles anis que ele lhe estendia, transformando sua vida em um licor de emoções, refrões. Entendeu que daquele sorriso só poderiam emanar flores e rumores. Ruminou a idéia de em um par estar, apaixonada por um olhar que não entendia o que lhe transmitia, mas lhe prendia. De papel ela fez seu coração e lhe entregou, deixando além de sua lembrança, seu verbo. Ele entoou uma música perdida em seus devaneios e esperou que ela entendesse. Ela já não podia lhe escutar.