Páginas

sexta-feira, abril 09, 2010

Dos sonhos...

E um dia ele escreveu sua história, pequenos passos de sua vida que diziam muito.
Falavam do caminho que seus pés percorria, falava das saudades que sentia.
E em momentos já distintos suas palavras se encontraram, foram diretamente recitadas.
Num passo magistral ela ganhou talhada em melodia versos que nos seus ouvidos se tornaram sinfonia.
Aqueles refrões não deixavam seu pensamento, mas lhe trazia sonhos aconchegantes...

Em sua memória existiam imagens do rapaz com aquele sorriso e olhar envergonhados...
E ela ouvia, em meio a sorrisos bobos, os contos daquele menino de charme inocente,
Ele falava dos sonhos de menino e daquela que sempre esperou... E ela sorria num sorriso bobo.
Ele corria contra o tempo para lhe dar boa noite e contar dos sonhos daquela madrugada.
E ela esperava com afinco suas palavras, que vinham como pequenos presentes, encantadores.

Sublime como a brisa que chega em fim de tarde, eram os suspiros sussurados em seu ouvido.
O desejo daquele abraço que tardava lhe tomava o sentido de espaço, tempo e enfim,
Passara a querer com seu mais singelo ardor esquentar aquele coração aquecido em lareira
Um beijo inusitado seria o suficiente para deixar de ser apenas a menina dos sonhos.

sexta-feira, março 26, 2010

Intensidade

Ao som de memórias recentes, eu não pude deixar de sentir o sol que ardia lá fora. Meus cabelos quentes e minha pele em ardorosa harmonia fazem coro às flautas e pratos tão ao fundo de bonita - e melodiosa - voz. Minhas lembranças, agora mais distantes, só me trazem você e seus traços marcantes, como grafite marcado em parede de sentimentos, como poesias recitadas em tardes inesperadas. Como uma declaração-não-declarada. Buscar resultados em linhas de números indecifráveis, tirar melodia de notas distorcidas e tentar resgatar amor de um coração que sangra. Passos não calculados, momentos equivocados... Intensamente esperados.

segunda-feira, março 08, 2010

Gangorra

E a vida estava sendo feito gangorra, os altos e baixos que acometiam e tomavam conta do seu dia-a-dia não eram humanos, tampouco surreais. Fechava os olhos em busca de algum chão, algum ar... Mas tudo em seu redor havia se rarefeito. Resolveu então seguir a dança que a pista lhe insinuava e entre os passos não ensaiados encontrou um olhar. Sorridente e inocente, mas que escondia toda uma insinuação. Refez a música de sua história, cantarolou aquela sublime emoção. E enquanto elevava sua dor, descobriu um novo sabor de beijo, intrigantemente viciante e tentador. E agora seu caminho é incerto, mas de fato é saciador.

sexta-feira, março 05, 2010

Urgência letal

E sua mão percorria meu corpo numa urgência quase letal.
Tentei mostrar-lhe que não achava aquilo apropriado ao momento.
Em vão.

Seus lábios corriam nos meus como água corre em dia de tempestade.
Desenhei minha boca em seu corpo, deixei as marcas de minhas mãos
Senti seu sussurro em meu ouvido, como uma nota desafinada

Senti meu corpo ser arremessado e senti meu cabelo ser tirado dos olhos
Encontrei seu rosto, a me fitar, a me devorar...
Mostrei-lhe então o que era de fato ser dominado... Silêncio.

Respiração lenta e pesada.

Um abraço.